
O Homem que plantava azinheiras*
Certo dia eu conheci um homem que plantava azinheiras.
Esse costume, adquirido por ele, surgiu depois que soube que Nossa Senhora havia aparecido numa. Não sei bem, mas me parece que seu desejo era ver a tal senhora.
Certa vez, quando regava as novas mudas, apareceu-lhe uma senhora pedindo algo para comer. E, prontamente, ele ofereceu-lhe chocolate quente com um pedaço de broa de milho. Naquela vizinhança não havia homem mais caridoso que ele. Depois que a senhora terminou de tomar seu alimento, ela agradeceu e partiu.
Noutro dia, quando ele regava novamente as sua pupilas, a senhora novamente apareceu e lhe fez o mesmo pedido. Curioso, ela sempre vinha na época em que o caridoso homem regava as suas azinheiras.
Aquele fato repetiu diversas vezes. Até que um dia, o cultivador de azinheiras caiu enfermo. Preocupado com suas preferidas, ele rezava para que a chuva caísse em tempo oportuno para suprir seus cuidados. No entanto, a chuva não caía.
Numa tarde, dessas em que o céu está mais avermelhado pelo por do sol, o homem se levantou e espiou pela janela. Era a hora que ele tinha o costume de regar suas azinheiras. Sua primeira reação foi de espanto, pois ele viu que elas estavam vicejantes. Nem pareciam que ficaram sem água. Porém, ainda maior foi sua surpresa quando ele viu que a senhora do chocolate quente, aquela que aparecia quando ele regava suas cupulíferas, estava a regar e adubar cada muda cada pezinho de azinheira.
*Márcio Teodoro