terça-feira, 29 de junho de 2010

"...e como uma ponte sobre águas turbulentas..."


Quando você tiver cansado se sentindo pequeno,
quando houver lágrimas nos teus olhos,
Deus há de enxugá-las, e eu estarei para ajudá-lo.
Deus está ao teu lado quando o tempo se torna rude
e os amigos parecem distantes.
Como uma ponte sobre águas turbulentas,
Ele irá se colocar, e eu estaremos com Ele
Quando você estiver pra baixo quando você estiver na rua , quando o anoitecer vier tão forte, Ele está ao teu lado quando a escuridão chegar, o sofrimento estiver ao redor, e eu irei confortar você como Ele.
Continue a navegar, meu filho, é Deus quem lhe fala.
Veja como as estrelas brilham!
Se você precisar de um amigo, Deus será seu leme
e eu estarei navegando ao teu lado.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quando a música é oração



Dizem que Ludwig van Beethoven teria dito que a música é a voz de Deus.
Segundo ele, a humanidade não consegue ouvir a voz de Deus. Por isso, Ele, Deus, sopra nos ouvidos dos músicos o que ele quer dizer. E, os músicos, como intérpretes de Deus, traduzem sua voz em notas que, combinadas, soam as mais belas melodias.
A música vem no silêncio. Ela vem pela meditação, pela interiorização do ser. É na introspecção da vida, num colóquio com o Divino que nasce sua natureza.
Nem todos podem ouvir a voz de Deus. Quem pode? Só os músicos? Só os artistas?
A música é a expressão do inaudito. A voz de Deus é inaudível.
A música é a voz de Deus.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Homem que plantava azinheira


O Homem que plantava azinheiras*
Certo dia eu conheci um homem que plantava azinheiras.
Esse costume, adquirido por ele, surgiu depois que soube que Nossa Senhora havia aparecido numa. Não sei bem, mas me parece que seu desejo era ver a tal senhora.
Certa vez, quando regava as novas mudas, apareceu-lhe uma senhora pedindo algo para comer. E, prontamente, ele ofereceu-lhe chocolate quente com um pedaço de broa de milho. Naquela vizinhança não havia homem mais caridoso que ele. Depois que a senhora terminou de tomar seu alimento, ela agradeceu e partiu.
Noutro dia, quando ele regava novamente as sua pupilas, a senhora novamente apareceu e lhe fez o mesmo pedido. Curioso, ela sempre vinha na época em que o caridoso homem regava as suas azinheiras.
Aquele fato repetiu diversas vezes. Até que um dia, o cultivador de azinheiras caiu enfermo. Preocupado com suas preferidas, ele rezava para que a chuva caísse em tempo oportuno para suprir seus cuidados. No entanto, a chuva não caía.
Numa tarde, dessas em que o céu está mais avermelhado pelo por do sol, o homem se levantou e espiou pela janela. Era a hora que ele tinha o costume de regar suas azinheiras. Sua primeira reação foi de espanto, pois ele viu que elas estavam vicejantes. Nem pareciam que ficaram sem água. Porém, ainda maior foi sua surpresa quando ele viu que a senhora do chocolate quente, aquela que aparecia quando ele regava suas cupulíferas, estava a regar e adubar cada muda cada pezinho de azinheira.
*Márcio Teodoro

sábado, 12 de junho de 2010


Sou um guardador de rebanhos*

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

*Alberto Caeiro

Se não falarmos a linguagem dos jovens...*

Ainda que falássemos a língua da informática,
Da música, do teatro, da teologia, da filosofia,
Se não falarmos a linguagem dos jovens
De nada adiantaria.
Ainda que nossas vozes projetassem o mais alto agudo,
Que nossos corpos se acabassem em academia,
Se não falarmos a linguagem dos jovens
De nada adiantaria.
Ainda que promovêssemos a mais badalada festa,
O mais famoso espetáculo,
Se não falarmos a linguagem dos jovens,
De nada adiantaria.
Mesmo que deixássemos nossas vidas a mercê do martírio,
Mesmo que nossas orações fossem as mais fervorosas,
Se não falarmos a linguagem dos jovens,
De nada adiantaria.
Mesmo que conquistássemos o mestrado e doutorado,
Que falássemos inglês, frances, espanhol, italiano, mandarim, grego ou latim,
Se não falarmos a linguagem dos jovens,
De nada adiantaria.
Mas se falarmos a linguagem dos jovens com todos os atributos, dons e conquistas
Proporcionadas por Deus,
Conquistaremos os jovens,
E falaremos em seus corações.

*Márcio Teodoro