quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Manifesto a favor de Papai Noel


Certo dia, um tal de Thomas Nast, caricaturista e cartunista político desenhou a figura de Papai Noel da forma como o conhecemos hoje: esse velho barrigudo, vestido de vermelho, de botas pretas, carregando um saco enorme nas costas; que vem de trenó puxado por umas renas, que é servido por elfos e vive com mamãe Noel. Alguns dizem que ele mora no pólo norte e outros que ele vive nas montanhas de Korvatunturi, na Lapônia, Finlândia. Nem sei onde é isso, mas tudo bem.
A verdade é que a possível origem do Papai Noel está baseada em São Nicolau. Vejam bem: Um santo! Olha que interessante!
Segundo reza à “boca miuda”, ele era o bispo de Mira, séc. III. Costumava levar moedas de ouro num saquinho e depositava nas chaminés daqueles que estavam necessitando de ajuda. Até nisso a lenda moderna copiou...feliz de quem tem chaminé.
Nicolau foi o primeiro santo da Igreja a se preocupar com a educação e a moral das crianças e suas mães. Chegou assistir o Concílio de Nicéia, em 325. Morreu no dia 06 de dezembro de 343.
O que infelizmente aconteceu é que o nosso bom bispo, ou bom velhinho, virou símbolo do capitalismo natalino. E Jesus Cristo, nosso aniversariante, se tornou coisa de Igreja. Mas isso não é culpa de São Nicolau, Santa Claus, Papai Noel ou como cada um queira chamar. A questão não é desprezar Papai Noel ou Santa Claus. É resgatar a verdeira identidade dessa figura que nos aparece à cada Advento, à cada Natal.
Acredito que ainda, como as crianças, não podemos perder a prática de escrever nossos pedidos e colocar em nossas meias. Mas o façamos conscientes: é para um santo simpático que procurava ajudar aqueles que necessitavam. E não a um ícone do capitalismo natalino.
Contudo, se tivermos que pendurar o Papai Noel de Thomas Nast em nossas portas, árvores de natal, no alto dos telhados das casas, sobre as chaminés, subindo em escadas, o façamos lembrando que para nós Papai Noel é um santo: São Nicolau.
É só levarmos em conta as diferenças: em quanto o Papai Noel de Thomas Nast espera encontrar perto de nossas meias leite e biscoitos como recompensa, São Nicolau atendia aos pedidos sem esperar recompensa: somente pelo dom de amar gratuitamente.
Por isso, peçamos a esse taumaturgo para que nos ajude a resgatar o verdadeiro sentido do Natal. Peçamos para que o Advento não seja um momento para enfeitarmos nossas casas para o Natal, mas tempo de enfeitarmos nossos coraçãoes para recebermos o Amor nascido em Belém. Ainda peçamos para que Jesus continue nascendo em nossos lares, a fim de que, como ele – São Nicolau, possamos ajudar os necessitados e, fazer com que, a cada ano, o natal seja melhor para todos. Por tanto, São Nicolau, rogai por nós!

Márcio Teodoro

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Senhor, fazei de mim um instrumento de sua paz!



Assim disse Francisco em sua famosa oração.
É dando que recebe.
Contudo, só é possível dar quando recebemos.
É possível dar o que não temos?
Como é possível amar, sem ser amado?
Como é possível ter paciência, se não sou paciente comigo mesmo?
Como é possível falar de Jesus sem o ter conhecido, experimentado, o amado?
Só falamos bem de quem conhecemos bem.
Se não falamos bem de quem conhecemos é porque não o conhecemos bem para falar com propriedade de quem queremos o bem.
Pregar Jesus é falar de tua experiência de amor para com o Mestre.
É falar aquilo que dele aprendeu.
O que você aprendeu de Jesus?
Evangelizar é falar da tua experiência de sentir-se amado por um Deus que quis habitar entre nós.
Ser instrumento é confiar-se nas mãos de quem você conhece bem e ama sempre.
Ninguém se entrega sem confiança.
Confiar é conhecer bem.
E conhecer bem é experimentar o outro em sua inteireza.
É vivenciar o outro no seu dia a dia.
Por isso, vivencie Jesus Cristo e seja seu instrumento.
Só assim você dará o que de fato tem a oferecer: AMOR.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Quando amar não é missão, mas essência


Amar uns aos outros não é missão, não é dever.
É essência de todo ser humano.
Fomos criados no amor para amar.
Amar deveria ser algo natural.
Assim como comemos, bebemos, dormimos, levantamos, vamos ao banheiro...
Amar deveria ser algo do cotidiano.
Amar é sublime, mas não deveria ser raridade.
Será que existe alguém nesse mundo que nunca amou?
Mesmo o mais cruel dos assassinos deve ter amado...
Amar é fazer-se amar e sentir-se amado.
Não deveríamos buscar amor.
Deveríamos ser amor.
Mas quem dá aquilo que não tem?
Contudo, há alguém que não tenha amor?
Pode ser que muitos tenham muito amor.
Porém não sentem esse amor.
Uma coisa é ter amor. Outra coisa é sentir amor.
Outra coisa é dar sem receber. Outra coisa é receber para poder oferecer.
Se o amor fosse co-natural ao ser humano, ninguém precisaria o dar, pois todos o teriam.
Mas então o que é oferecer e receber amor?
É ajudar com que o outro deixe o que lhe é essencial transparecer aos olhos dos outros: AMAR.

terça-feira, 29 de junho de 2010

"...e como uma ponte sobre águas turbulentas..."


Quando você tiver cansado se sentindo pequeno,
quando houver lágrimas nos teus olhos,
Deus há de enxugá-las, e eu estarei para ajudá-lo.
Deus está ao teu lado quando o tempo se torna rude
e os amigos parecem distantes.
Como uma ponte sobre águas turbulentas,
Ele irá se colocar, e eu estaremos com Ele
Quando você estiver pra baixo quando você estiver na rua , quando o anoitecer vier tão forte, Ele está ao teu lado quando a escuridão chegar, o sofrimento estiver ao redor, e eu irei confortar você como Ele.
Continue a navegar, meu filho, é Deus quem lhe fala.
Veja como as estrelas brilham!
Se você precisar de um amigo, Deus será seu leme
e eu estarei navegando ao teu lado.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quando a música é oração



Dizem que Ludwig van Beethoven teria dito que a música é a voz de Deus.
Segundo ele, a humanidade não consegue ouvir a voz de Deus. Por isso, Ele, Deus, sopra nos ouvidos dos músicos o que ele quer dizer. E, os músicos, como intérpretes de Deus, traduzem sua voz em notas que, combinadas, soam as mais belas melodias.
A música vem no silêncio. Ela vem pela meditação, pela interiorização do ser. É na introspecção da vida, num colóquio com o Divino que nasce sua natureza.
Nem todos podem ouvir a voz de Deus. Quem pode? Só os músicos? Só os artistas?
A música é a expressão do inaudito. A voz de Deus é inaudível.
A música é a voz de Deus.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Homem que plantava azinheira


O Homem que plantava azinheiras*
Certo dia eu conheci um homem que plantava azinheiras.
Esse costume, adquirido por ele, surgiu depois que soube que Nossa Senhora havia aparecido numa. Não sei bem, mas me parece que seu desejo era ver a tal senhora.
Certa vez, quando regava as novas mudas, apareceu-lhe uma senhora pedindo algo para comer. E, prontamente, ele ofereceu-lhe chocolate quente com um pedaço de broa de milho. Naquela vizinhança não havia homem mais caridoso que ele. Depois que a senhora terminou de tomar seu alimento, ela agradeceu e partiu.
Noutro dia, quando ele regava novamente as sua pupilas, a senhora novamente apareceu e lhe fez o mesmo pedido. Curioso, ela sempre vinha na época em que o caridoso homem regava as suas azinheiras.
Aquele fato repetiu diversas vezes. Até que um dia, o cultivador de azinheiras caiu enfermo. Preocupado com suas preferidas, ele rezava para que a chuva caísse em tempo oportuno para suprir seus cuidados. No entanto, a chuva não caía.
Numa tarde, dessas em que o céu está mais avermelhado pelo por do sol, o homem se levantou e espiou pela janela. Era a hora que ele tinha o costume de regar suas azinheiras. Sua primeira reação foi de espanto, pois ele viu que elas estavam vicejantes. Nem pareciam que ficaram sem água. Porém, ainda maior foi sua surpresa quando ele viu que a senhora do chocolate quente, aquela que aparecia quando ele regava suas cupulíferas, estava a regar e adubar cada muda cada pezinho de azinheira.
*Márcio Teodoro

sábado, 12 de junho de 2010


Sou um guardador de rebanhos*

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

*Alberto Caeiro

Se não falarmos a linguagem dos jovens...*

Ainda que falássemos a língua da informática,
Da música, do teatro, da teologia, da filosofia,
Se não falarmos a linguagem dos jovens
De nada adiantaria.
Ainda que nossas vozes projetassem o mais alto agudo,
Que nossos corpos se acabassem em academia,
Se não falarmos a linguagem dos jovens
De nada adiantaria.
Ainda que promovêssemos a mais badalada festa,
O mais famoso espetáculo,
Se não falarmos a linguagem dos jovens,
De nada adiantaria.
Mesmo que deixássemos nossas vidas a mercê do martírio,
Mesmo que nossas orações fossem as mais fervorosas,
Se não falarmos a linguagem dos jovens,
De nada adiantaria.
Mesmo que conquistássemos o mestrado e doutorado,
Que falássemos inglês, frances, espanhol, italiano, mandarim, grego ou latim,
Se não falarmos a linguagem dos jovens,
De nada adiantaria.
Mas se falarmos a linguagem dos jovens com todos os atributos, dons e conquistas
Proporcionadas por Deus,
Conquistaremos os jovens,
E falaremos em seus corações.

*Márcio Teodoro